Meu Eu Lírico

Coisas sobre as quais eu sempre quis escrever, ou conversar, ou simplesmente meditar. Esse é o fim da ociosidade dos meus leitores imaginários...


Dia desses eu estava olhando uns textos de uma amiga. Achei aquilo tudo muito maravilhoso, eu não sabia que ela escrevia assim, desse jeito que faz eu sentir vontade de ser poeta.
Escrevo poeta no masculino porque acho mais bonito. não gosto da palavra "poetisa", é estranha.
Estranha sou eu, tentando ser poeta à pulso. Eu sei que não escrevo bem.
Tenho uma vontade enorme de ser artista. Artista no sentido de fazedor de arte,
mas eu me frustrei em todas as vezes que tentei.
Tentei escrever poesias. Tenho um caderno repleto delas, uma mais pobre que a outra.
Tentei escrever uma música, passei meses e tudo que consegui foi um solo curto para violino. simples, apenas uma voz. Sou tão incompetente que nem sei como se escreve o acompanhamento. Já tentei pintar quadros nas aulas de artes em 2006, um desastre total. Acabamos por usar toda a tinta roxa no cabelo. Eu e Edjane. Foi muito legal. Apenas mais um dia muito bom que eu passei no Cefet.
Eu estava pensando, nossa, como a vida passa rápido, é como seu tudo isso estivesse acontecido a dias, ou horas, mas já se passaram 4 anos.
Eu sinto muita falta deles.
Minha vida agora não está ruim, não mesmo... só que quanto mais a gente cresce, mas valor a gente dá pra coisas simples, como pintar o cabelo com tinta roubada do laboratório de artes.
Eu só tenho 19 anos, mas me sito com trinta, às vezes.

Esses dias que eu fiquei sem internet, na verdade, eu acho que faz mais de um mês, eu pude ver como esse negocio de rede social é efêmero. Vc fica uma semana desconectado e quando volta, não consegue se localizar. É por isso que estou declaradamente deixando sites de rede social de lado. Não valem nada, e me fazem desperdiçar tempo .

Bem, eu deveria estar com sono, né, já que são duas e seis da madrugada e faz dias que eu não durmo direito. Não posso ficar doente. de novo.

E, voltando ao tema desse post, poeta frustrado, eu bem que gostaria de voltar a meu surtos poéticos, escrever meu contos, tirar ideias maravilhosas de metaforas dessa minha mente. mas parece que a fonte secou, o deus da poesia me abandonou, meu eu-lírico morreu ?


(20/12/10)


É como eu sempre digo: Caminhar libera endofina, a substancia química em nosso corpo responsável pela sensação de prazer .
Pois bem, eu te digo que uma paixãozinha de vez em quando faz muito mais que uma caminhada.#FicaDica
É, essa vida de nerd anti-social não tá com nada.
Faz muito tempo que eu não me interessava por ninguém, nessa mania de me achar muito boa pra qualquer mané (e sou mesmo).
Querendo um "namoro sério" eu saí dando alguns foras por aí -.-'
Burrice isso, faz alguns dias que eu decidi parar da me preocupar tanto com minha vida, meu futuro.
E, como diria Salomão em Eclesiastes, Tudo é ilusão.

Oh, meus leitores imaginários, não sejam como eu!
Não se preocupem demasiadamente com as coisas, vivam a vida, comam, bebam, se divirtam, amem, falei besteira, sejam espontâneos.
DEpois me contem como foi.
(08/10/09)


Ontem, 25/06, foi meu aniversário. 18 anos, maioridade, nada mudou. Sou a mesma criança de sempre. A mesma.Ou não.
Me sinto estranha,
ah, não sei.
não me sinto triste, nem feliz. Apenas sinto.
ME SINTO!!!!
Desde o fim do ensino médio estou em contato comigo mesma, comigo e e penas comigo.
Sem amigos íntimos constantes, sem ninguém pra conversar, ou rir, ou brigar, ou qualquer coisa.
Converso comigo, morro de rir comigo, choro comigo, conheço a mim mesma.
Não existe coisa melhor que a solidão,
Mas depois de um tempo vc se cansa de si mesma.
Eu me cansei da minha companhia.
Enquanto espero eternamente um amigo continuo a me conhecer.
Meus defeitos: essa é a pior parte. Coisas que eu sempre repudiei nos outros agora eu vejo em mim. É frustrante.
Minhas qualidades, na verdade se vc me perguntar algo que vale a pena em mim eu não saberia o que responder.
Sou anormal.
Tenho raciocínio lento, mas adoro exatas. Física, matemática; demoro a entender, mas gosto.
É sempre assim, as coisas são TÃO óbvias que dá vergonha de mim mesma ao saber que eu sempre sou a última a perceber.
Talvez seja por causa da minha imaginação fértil. Sempre fugindo ao óbvio.
Minha cabeça sempre nas nuvens, eu sempre voando....
Eu sempre passo despercebida.
E nem faço questão de chamar atenção desse mundo fútil.
Eu seria a Macabéa da Clarisse, se não fosse essa quase epifania.

Queria mesmo que aquela rosa do jardim da escola soubesse o quanto eu admiro a leveza de suas pétalas.
Simples, como tudo que é realmente belo.

(26/06/09)

Àgata voltava da casa da mãe, mas um final de semana misto de aconchego, melancolia e umas gotas de impaciência.
Estava no banco da frente do ônibus quando eles entraram. Aqueles humanos, sujos, mal cuidados, doentes. Procuraram assentos vazios como uma fera procura uma presa. Nos olhos arregalados ela viu uma possível disposição de até matar por um assento. Por sorte haviam lugares suficientes para todos eles. Uma pessoa mais velha, provavelmente a responsável por eles, os tratava como crianças e gritava, pedindo silêncio
E então, o silêncio.
Àgata sentiu medo e ficou aliviada por nao estar sentada ao lado deles.
Dez minutos depois, desceram.
Aquelas criaturas agora desciam educadamente do ônibus, como se cada passo fosse um carinho nas escadas imundas.
Desceram todos.
Quando o ônibus partiu, ela olhou pra trás e percebeu que um deles a sorria. Com aqueles dentes tortos, amarelados.
Acenava e sorria.
Ela sorriu de volta, e, paralizada, não acenou.
Foi um sorriso tão sincero que Ágata nunca mais o esqueceu.
Filosofou, sozinha, sobre os instintos humanos o resto inteiro da viagem.

(16/06/09)